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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Cerveró cita propina de US$ 100 milhões durante governo FHC

Publicado por Junior Carvalho As terça-feira, 12 de janeiro de 2016  | Sem Comentarios


O ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou a investigadores da Operação Lava-Jato que a compra do conglomerado de energia argentino Pérez Companc (PeCom) pela Petrobras, em julho de 2002, “envolveu uma propina ao governo FHC de US$ 100 milhões”. Cerveró atribuiu as informações a diretores da Perez Companc e a Oscar Vicente, executivo argentino que presidia a empresa na época da aquisição – que custou US$ 1,02 bilhão.
A declaração do ex-diretor da petrolífera foi feita antes que ele assinasse acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), firmado em novembro. O Valor teve acesso com exclusividade ao documento sigiloso em que Cerveró faz a afirmação, apreendido no gabinete do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) durante ação de busca da Lava-Jato realizada em novembro de 2015. Delcídio – diretor de Gás e Energia da Petrobras de 2000 a 2001e chefe de Cerveró na companhia – é acusado de obstruir a delação premiada de seu ex-subordinado e está preso preventivamente em Brasília. A Polícia Federal (PF) investiga como o ex-líder do atual governo Dilma Rousseff no Senado teve acesso ao material secreto da investigação. O senador disse à PF, em depoimento, que assumiu o cargo de diretor da Petrobras “atendendo a convite do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o qual lhe foi transmitido por Rodolpho Tourinho, que à época estava à frente do Ministério de Minas e Energia e era presidente do conselho de administração da Petrobras”. Tourinho, morto em 2015, era cota do PFL (atual Democratas) na petrolífera, partido que integrava a base aliada do governo FHC, e ligado ao senador baiano Antonio Carlos Magalhães – que morreu em 2007.
No documento, no entanto, Cerveró não esclarece quais integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso teriam recebido propina. Ele informa sobre um suposto suborno aos argentinos, sem indicar quem o pagou: “Cada diretor da Perez Companc recebeu US$ 1 milhão como prêmio pela venda da empresa e Oscar Vicente US$ 6 milhões. ”
Posteriormente, a estatal brasileira reuniu os ativos da PeCom com outros adquiridos na Argentina e formou a Petrobras Energia SA (Pesa), empresa listada em bolsa. Mas Cerveró não participou da transação sobre a qual relata supostas propinas no governo tucano. Ele tinha sido afastado da gerência de Energia da petrolífera em 2001, quando Delcídio deixou a diretoria para concorrer a uma vaga no Senado pelo PT do Mato Grosso do Sul e foi substituído por Luiz Antonio Menezes na estatal.
Cerveró disse que a aquisição da PeCom coincidiu com o início da administração do presidente Néstor Kirchner na Argentina, “que fez muita pressão para que a Petrobras vendesse a Transener, e em várias reuniões que mantive com o Julio de Vido (ministro de Energia e Infraestrutura) ele insistiu nesse aspecto, já que era considerado estratégico o controle da linha”. Kirchner assumiu em 2003 e sucedeu Eduardo Duhalde.
A Transener era uma empresa de transmissão de energia argentina controlada por uma subsidiária da Perez Companc, que foi adquirida pela Petrobras em julho de 2002. Cerveró lembrou que a compra da Companc pela Petrobras ocorreu quando a estatal era presidida por Francisco Gros (morto em 2010). Durante a gestão de Gros, Cerveró ocupou cargo de assessor no Ministério de Minas e Energia. Antes, de 2000 a 2001, foi gerente de Energia da Petrobras, enquanto Delcídio foi diretor da área. Em 2003 foi nomeado para a diretoria Internacional da petrolífera no governo do PT com o apoio do PMDB.
O órgão de defesa da concorrência argentina ordenou que a Petrobras vendesse a participação na Transener. Em 2006, a estatal acertou a venda da Citelec, que controlava a Transener, por US$ 54 milhões para o fundo americano Eton Park Capital Management.
Cerveró relata que, “seguindo as instruções” de Kirchner, “fechamos o negócio com a empresa americana para venda da Transener, aprovada por Julio de Vido”.
Mas, segundo o ex-diretor da Petrobras, “o dono” da Electroingenería “forçou a barra” e o ministro acabou desfazendo o negócio.
“O ministro Julio de Vido me convocou pessoalmente ao seu gabinete e determinou que só poderíamos vender para a Electroingenería, empresa amiga”.
Cerveró também relatou almoço em hotel, que teria antecedido essa reunião, intermediado pelo advogado Roberto Dromi (ex-ministro das privatizações no governo Menem) e pelo lobista do PMDB na Petrobras, Jorge Luz, com “o dono” da Electroingenería, mencionado como “amigo pessoal do ministro De Vido”. O delator disse que “ficou acertado o interesse da Electroingenería na Transener, que acabou se concretizando”.
Cerveró diz que “a maior parte da propina ficou na Argentina” e que ele e o lobista Fernando “Baiano” Soares receberam propina de US$ 300 mil cada.
A delação de Baiano ratifica parte das informações de Cerveró. O lobista disse que manteve encontros com Dromi e que esteve duas vezes com De Vido, uma no mesmo almoço mencionado por Cerveró e outra na casa de um dos sócios da Electroingenería, Gerardo Ferreira – ex-integrante do grupo paramilitar Exército Revolucionário do Povo (ERP).
Procurado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em comunicado divulgado pela assessoria de imprensa de seu instituto não ter “a menor ideia” do que trata a matéria. “Como o repórter do Valor diz, na época o presidente da Petrobras era Francisco Gros, pessoa de reputação ilibada e sem qualquer ligação político-partidária”. Para o ex-presidente tucano, “afirmações vagas como essa, que se referem genericamente a um período no qual eu era presidente e a um ex-presidente da Petrobras já falecido, sem especificar pessoas envolvidas, servem apenas para confundir e não trazem elementos que permitam verificação”.
O PSDB nacional disse, por meio da assessoria de imprensa, que “apoia as investigações da Operação Lava-Jato desde o início”, mas que “é importante não permitir que a citação de nomes sem qualquer relação com os atos ocorridos possa comprometer a seriedade e a correção que têm orientado as investigações até aqui”.














































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